Onda de digitalização busca por novas competências profissionais

Coincidência ou não, esta semana tive acesso a uma pesquisa do ManpowerGroup, empresa especializada no recrutamento e seleção de profissionais, que vem justamente reforçar essa visão. O levantamento foi conduzido junto a 18 mil empregadores em 43 países, e aponta para um ciclo de vida de competências cada vez mais curto. A análise diz que a onda de digitalização vivida atualmente provocará ruptura e despertará o interesse do mercado por novas habilidades profissionais.

Um outro estudo, este realizado em 2016 pela McKinsey, estima que 45% das tarefas pelas quais as pessoas recebem para fazer diariamente já podem ser automatizadas com a tecnologia existente. Em linha com o que escrevi na semana passada, isso não significa, no entanto, que as vagas de trabalho serão extintas. Por mais contraditório que possa parecer, a maioria dos empregadores aposta que essa mudança trará um ganho líquido para o emprego. Segundo a pesquisa, mais de 80% dos empregadores esperam manter ou aumentar o número de colaboradores e desenvolver as competências do seu pessoal nos próximos dois anos, enquanto somente 12% planejam reduzir o número de colaboradores como resultado da automação.

OK, bacana. Mas onde, afinal, estarão os empregos? Que tipo de competências o mercado vai procurar? A resposta ninguém sabe ao certo. Tanto é que o ManpowerGroup prevê que, com ciclos de competências tão curtos, nada menos que 65% dos empregos que a Geração Z terá dentro de dois anos e meio sequer existem atualmente. O que o ManpowerGroup sabe, apesar da revolução das competências, é que as mudanças vem privilegiar competências humanas que não serão substituídas por robôs. Pelo menos não por enquanto. Essas habilidades envolvem os campos da inteligência emocional, flexibilidade e criatividade. A dica dos especialistas é buscar formações que privilegiem essas competências.

A verdade é que nós todos, empresas e profissionais, já nos adaptamos a revoluções do mercado de trabalho antes – dos representantes de atendimento ao cliente aos call centers super automatizados, das telefonistas às centrais telefônicas baseadas em IP. Recriar trabalho é parte do nosso know-how. Agora, cabe aos empregadores, de um lado, investirem em tecnologias que lhes trarão maior produtividade e rentabilidade, e aos empregados, de outro, entenderem que prender–se às atividades manuais e processuais é suicídio profissional.

*Jobson Andrade é diretor-executivo da Asteriks Soluções Inteligentes em TI.


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